Inicialmente contei para a minha ginecologista, depois para o cara (foi uma relação casual, no dia q conheci ele, rolou, a camisinha estourou, tomei pílula do dia seguinte, mas não consegui evitar a fecundação) e contei para minha mãe depois de tomar todos os Misoprostol.
A ginecologista e a minha mãe me deram todo o apoio, apesar delas não concordarem com o que fiz. Minha mãe tem me levado para fazer os exames, me ajudou durante toda a noite que tive as cólicas. A ginecologista tem me mandado fazer exames e tem tratado todo o pós-aborto.
O cara não me ajudou em nada, só queria saber se eu tinha abortado.
Obviamente que afetou os meus sentimentos o fato do aborto ser ilegal no meu país.
Fiquei com muita raiva por morar num país onde as mulheres não podem ter controle efetivo sobre os seus corpos e suas vidas!
O corpo é meu, os 9 meses quem passaria seria eu, os efeitos de ter uma criança no momento errado seriam sentidos por mim.
Onde é que o Estado entra nisso?
Sociedade muita da escrota aquela que acha que pode controlar os corpos e vidas das mulheres.
Porque, sinceramente, tenho certeza que se a gravidez fosse nos corpos dos homens, aí sim o aborto seria permitido.
Moro num país machista, onde o Estado e a sociedade se metem na vida das mulheres justificando isso por um viés machista e preconceituoso.
Raiva!
Foi a melhor opção que eu poderia fazer.
Comprei o kit da Women on Waves e, apesar de ter demorado 1 mês, tive reações bem menos arriscadas do que nas outras opções que eu teria.
Tomei 1 mifepristone e depois 4 misoprostol e depois 2 misoprostol.
O Mifepristone não me causou nenhuma reação.
Depois de tomar os 4 Misoprostol acabei dormindo durante umas 2 horas, quando acordei já estava sangrando (numa intensidade maior que a de menstruação), com cólicas e dores (parecidas com as menstruais fortes).
Daí para evitar cólicas e dores mais fortes, tomei 1 paracetamol.
Depois de tomar os 2 outros Misoprostol continuei sangrando, mas com cólicas e dores bem tranquilas. Umas 7 horas depois do primeiro paracetamol, tomei outro.
Só depois da segunda dose de Misoprostol contei para a minha mãe o que estava acontecendo para ela não me impedir de fazer o que eu queria.
Nos dias seguintes continuei sangrando, mas sem dores. Fiz um ultrassom e o embrião não estava ali, só restavam alguns coágulos.
Fiquei em casa durante alguns dias, sem podem fazer exercícios ou atividades físicas fortes durante uns 30 dias.
Eu não podia ter aquela criança.
Eu estou ainda na faculdade, preciso trabalhar e estudar. Se eu não me dedicar a minha faculdade não poderei ganhar melhores salários no futuro. E, imagine, se eu não completasse minha formação da forma que eu quero por causa de um filho, com certeza eu culparia essa criança por isso (mesmo que de forma sutil).
Quando eu tiver um filho quero tratá-lo com muito amor, quero dar a essa criança as melhores condições financeiras, uma casa própria, uma escola excelente e muito amor. Isso, agora, eu não tenho.
Além disso, foi de uma relação totalmente casual. Não amo, nem nunca amei, o cara com quem transei.
Fiquei muito, muito aliviada depois que abortei.
Nossa, vi que agora eu posso fazer o que eu quiser da minha vida.
Eu, sinceramente, vou controlar melhor a minha vida sexual.
Isso leva ao outro sentimento, a raiva. Tive raiva de mim por ter passado, desnecessariamente por um aborto. Daqui para frente usarei pílula também, além da camisinha (que usei nesse acidente).
E, como sei que me sinto mal, sozinha, um lixo, sem amor, depois que faço sexo com caras aleatórios (faço sexo com esses caras só por eles serem bonitos e para depois mostrar para as minhas amigas os gatos que eu posso "pegar") vou tentar agora ter motivações melhores para ter relações sexuais.
E parar de achar que é um tabu amar alguém.